Alexandre Taleb na Barbearia

Ícone da elegância masculina, o consultor de estilo celebra os dois anos do portal Barbearia Digital em um papo sobre “ser homem” no Brasil de hoje

Comportamento
Data: 20 de junho de 2017
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Elegante e direto, sem papas na língua. É assim que o consultor de imagem paulistano Alexandre Taleb surge em uma conversa exclusiva com o portal Barbearia Digital, mirando um único objetivo: revelar as nuances e as dificuldades de “ser homem” no Brasil atual, onde o preconceito ainda reina [entre homens e mulheres] e a corrupção está impregnada no cotidiano.

 

Objetivo único, porém, nada simples de alcançar. Considerado um dos homens mais elegantes do País, Taleb não é de medir as palavras quando questionado sobre temas que fazem parte do seu hall de conhecimento, como a invasão do genderless [moda sem gênero] nos guarda-roupas masculinos; mas é, antes de mais nada, um típico chefe de família. Casado e pai de duas meninas, é daqueles que atende à ligação das filhas no meio da entrevista só para certificar-se de que está tudo bem em casa. “Não posso falar agora, estou dando uma entrevista”, finaliza para, em seguida, retomar seu raciocínio sobre saúde e olifestyle que adentrou a internet através das redes sociais.

 

Extremamente [e visivelmente] vaidoso, embora deixe claro possuir limites em sua vaidade, Taleb é formado em Administração de Empresas e soube transformar o próprio cotidiano metrossexual em negócios. Foi convidado a criar peças exclusivas para grandes grifes e, atualmente, é especialista em mercado de luxo, professor nos melhores centros universitários do Brasil e consultor de imagem, função que, claramente, desperta sua paixão.

 

Da infância à vida adulta, deu um giro de 360º na rotina. Se, quando criança, conheceu o mercado popular [os pais possuíam uma loja de tecidos na Rua 25 de Março, em São Paulo] hoje é frequentador dos maiores e mais caros centros de compras do mundo. Mas, ainda assim, sabe conceituar o luxo de modo abstrato, como deve ser a vida daqueles que buscam no simples a paz e o combustível para viver bem.

 

Acompanhe Alexandre Taleb na Barbearia

 

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Calça, camisa e blazer: Hugo Boss; Sapatos: Jef; Acessórios: Lank. [Fotos: Thiago Bruno]

 

Você começou a interagir com os tecidos ainda na infância. Quais são as lembranças desse período?

Meu pai tinha loja desse segmento, então desde pequeno eu estou acostumado a lidar com tecido. Embora as lembranças sejam vagas porque eu era muito criança, tinha entre 2 e 5 anos, elas são muito gostosas. Lembro claramente de eu pegar nos tecidos, senti-los e passar pelos corredores olhando aquelas pilhas de tecidos… Isso era muito bacana e, sem dúvidas, é algo que permaneceu na minha vida.

 

O seu primeiro contato com moda aconteceu, portanto, no comércio popular. Hoje você é considerado expert no mercado de luxo. O que aproxima e o que distancia esses dois universos?

O luxo hoje não é mais uma coisa muito pontual. Mudou o conceito de luxo ser a coisa mais cara, luxo ser o inacessível… Hoje o luxo está atrelado a outras coisas. Exemplo: uma pessoa que trabalha muito parar em uma segunda-feira pela manhã e pegar uma praia ao meio dia é um luxo. É uma coisa para poucos, um verdadeiro luxo! E é de graça. O sol é de graça, a praia é de graça, o mar é grátis, a areia é de graça… Mas, ao mesmo tempo, é um super luxo porque é algo que quebra uma rotina que vale dinheiro.

 

Como você avalia a moda masculina brasileira? Quem são os grandes figurões da moda nacional?

Não vamos falar de figurões, vamos falar dos aspectos gerais. Qual a diferença da moda masculina aqui e fora? Na Europa e nohemisfério norte: EUA, Canadá, Ásia… ela [a moda]está muito à nossa frente porque o povo de lá gosta disso. Eles compram, incentivam… Diferente do Brasil. O homem brasileiro ainda é conservador, ele ainda é tradicional. Se ver uma roupa diferente, se ele ver um cara diferente…já tacha como sendo homossexual. E isso não existe! Não importa se o homem é homo ou é hétero, ele tem pinto. Ele tem um pinto no meio das pernas, então a roupa dele é diferente. É de homem!

Um cara que trabalha, ele usa roupa de homem, independente da opção sexual dele. Portanto, não há diferença entre a moda gay e a moda hétero. Os dois tem pinto, p***! Então, roupa de homem é roupa de homem!

Então, a nossa relação com a moda nos revela que ainda somos um povo preconceituoso. O homem é preconceituoso e a mulher também. Eu visto muitos clientes meus em que a mulher olha e fala: mas isso é roupa de homem? Aí, você vê claramente que o preconceito brasileiro não está só na cabeça dos homens. Está na cabeça das mulheres também.

 

Mas quem são os grandes estilistas brasileiros que estão produzindo “roupas de homem”?

Você colocou a questão dos figurões, mas eu prefiro falar do aspecto geral e dizer que a moda masculina brasileira está crescendo muito. Está tendo hoje muitos mais programas de TV, estamos tendo mais informações: revistas, sites,blogueiros… Se tem o aumento de informação, é porque está tendo o aumento de demanda entre os que querem saber e possuem interesse.

 

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Polo: Hugo Boss; Calça: Alexandre Won; Sapatos: Jef; Meias: Happy Socks Brasil; Acessórios: Lank. [Fotos: Thiago Bruno]

 

Você acompanhou esse novo modo de estar presente na vida das pessoas. As redes sociais chegaram e você aderiu. Qual o papel delas no lifestyle masculino hoje?

Antes, era só revista de papel. Hoje, não! Hoje é a revista, o jornal, os blogs, a internet, os influenciadores e as pessoas que não são nada e acabam postando o que elas acham bacana ou não, o que elas usam no dia-a-dia. Hoje, as redes sociais estão muito fortes pela sua dinamicidade. É online, ela é na hora. Você postou, já está todo mundo olhando. Então, ela tem uma força gigantesca, e ela está ajudando, sim, a moda e a imagem masculina.
O que é ser um homem elegante?

O homem elegante é aquele homem que está vestido adequadamente para cada ambiente. Ele vai à praia? Ele estará elegante se estiver com uma sunga bacana, com short. Ele vai a uma festa blacktie? Ele estará elegante se ele estiver com um smoking, porque blacktie é smoking. Ele vai a um casamento? Ele estará de terno e gravata. Ele vai ao cinema? Ele usará um jeans com camiseta. Isso é um homem elegante: ele coloca a roupa adequada ao ambiente onde está circulando.

 

Roupa para todas as ocasiões, portanto. Diante do seu conceito de elegância, você seria capaz de elencar cinco peças fundamentais no guarda-roupa de qualquer homem?

Sim! A primeira delas é sapato marrom café. Isso é essencial! A segunda é um jeans reto, liso e mais escuro, sem detalhes. Isso é um super curinga. Terceira coisa: um blazer azul marinho, bem cortado, acinturado… Não estou falando junto, estou dizendo acinturado: isso fica bem para qualquer homem. Relógio: um homem não pode sair sem relógio. Relógio é um acessório super importante.

As outras peças integram o hall dos acessórios. Uma mulher tem quinhentos mil acessórios, o homem tem poucos. Portanto, a quarta peça essencial é um relógio. O homem tem que estar com um relógio bacana no pulso. Isso dá visibilidade e credibilidade para ele. Quinta coisa: moramos em um país tropical. Devemos, sim, usar os óculos escuros. Um homem com óculos escuros bacanas fica elegante em qualquer lugar.

 

 

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A tua proximidade com a moda acabou te levando para o universo da criação. Quais peças e acessórios estão no mercado com a assinatura Alexandre Taleb?
Minha primeira criação foi para uma marca de sapatos chamada Cometa, uma das grifes de sapatos mais antigas de São Paulo.Há quatro anos, eles me chamaram para dar uma modernizada na loja e assinar um modelo slipper. Era preto, de veludo… Um com um brasão e outro sem. Eu assinei quinhentos pares. Foram todos vendidos!

Há dois anos, tive a segunda experiência assinando uma linha de camisetas com tecidos diferentes, tecnológicos e tinha uma proposta interessante: 20% do valor arrecadado seria destinado para a Associação da Mara Gabrilli, que cuida de pessoas com deficiência física ou mental.

Atualmente fui convidado por duas joalherias para assinar uma colação de joias masculinas. São pulseiras e abotoaduras de ouro branco e ouro amarelo, prata e a quarta com ródio negro. Elas estão à venda em São Paulo e Brasília, nas joalherias Grifith, ou através do site da Lank Design.

 

Na função de escritor, você surgiu com livros infantis. Existe alguma relação com o nascimento das suas filhas e o pai dedicado que é?

Eu já escrevi dois livros: um infantil e um não infantil. O meu primeiro, o infantil, foi lançado em 2009 e eu tinha minhas duas filhas pequenas, mas eu lancei, na verdade, com objetivo de promover a inclusão entre crianças deficientes e não deficientes. Na época, eu trabalhava com a Mara Gabrilli, e tive a oportunidade de conviver com pessoas com diversos tipos de deficiência e de todas as idades. Foi ai que percebi a necessidade de tratar do tema e mostrar que o nosso mundo não tem diferença.

Já no ano passado, em agosto, lancei pela editora SENAC o meu mais novo livro: “Imagem Masculina – Guia prático para o homem contemporâneo”que chegou a me deixar assustado: tiveram 1.200 pessoas no lançamento e está sendo um sucesso, vendendo muito bem até hoje.
O que existe no “Imagem Masculina” que você considera informação imprescindível para o homem contemporâneo? 

O meu livro não fala de moda, ele fala de imagem. Moda é o que está na vitrine, imagem é a informação que você passa de si para os outros. Então esse livro ensina, exatamente, como o homem se veste para o trabalho; como o  homem se veste para sair e ir a uma festa… Portanto, o conteúdo do Imagem Masculina é essencial para todo homem que quer ganhar mais dinheiro, subir na carreira, trocar de emprego, ampliar os vínculos sociais… O livro ensina como ter uma imagem melhor e,consequentemente, conquistar seus objetivos de vida.
Tratando de imagem… Qual a sua relação com a vaidade? 

Eu sou um cara muito vaidoso. Lógico que eu tenho limite, mas faço exercício físico todos os dias. Gosto de academia! Musculação é uma coisa que me dátesão, que eu gosto pra caramba e que me deixa mais calmo.

Além disso, vou com freqüência no meu dermatologista, Dr. Otávio Macedo, um dos mais renomados do Brasil, e faço vários tratamentos estéticos com ele para melhorar a pele. Não tenho vergonha de falar que aplico botox, faço limpeza de pele, uso cremes…Eu me preocupo com a minha aparência porque acredito que a nossa imagem é o nosso principal cartão de visita.

 

Para finalizar: diante de tanta barbaridade, o que você considera como o Brasil dos sonhos de todo e qualquer homem elegante?

O Brasil dos sonhos ainda está bem distante. O Brasil dos sonhos é, sem duvidas, um Brasil sem corrupção. É uma vergonha a corrupção que vivenciamos diariamente. E não estou falando apenas de política!

O cara que passa no sinal vermelho, ele também está sendo corrupto. Ele sabe que aquilo é uma infração! O cara que tenta impedir uma multa com a compra do guarda é um grande corrupto. O político que rouba é mais um corrupto. Então, um país melhor é um país com menos corrupção em todos os sentidos.

 

 

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Calça e camisa: Hugo Boss; Sapatos: Jef; Acessórios: Lank. [Fotos: Thiago Bruno]

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