Aquaman, o filme que salvou a DC do naufrágio

Nada se sobressai no filme-solo do herói aquático do universo DC Comics, que fica um passo da ruindade

Cultura e Educação
Data: 23 de janeiro de 2019
Capa Aquaman

No atual panorama do cinema-espetáculo, os super-heróis são a bola da vez por vários motivos. Um deles é a possibilidade virtualmente inesgotável, para os estúdios, de lançar sequências e mais sequências com os mesmos personagens [juntos ou separados], arrecadando bilheterias cada vez maiores, e ainda assim fazer o público querer mais.

 

Mas, nessa corrida pelo herói salvador das finanças de Hollywood, nem todo mundo é ganhador. Enquanto a Marvel Studios emplaca um sucesso estrondoso atrás do outro com Os Vingadores, o Homem-Aranha, o Pantera Negra e outros heróis seus amados pelo público (principalmente quando lançados em parceria com a Disney), sua principal concorrente, a DC Comics, acumula várias decepções.

 

A mais recente delas foi com o filme “Liga da Justiça” [2017], que, tendo consumido um dos maiores orçamentos da história [450 milhões de dólares], arrecadou relativamente modestos US$ 650 milhões nas bilheterias. À primeira vista pode parecer muito, mas só fazem cócegas se comparados aos mais de US$ 2 bilhões do concorrente direto “Os Vingadores: Guerra Infinita” [2018], da Marvel.

 

À exceção de “Mulher-Maravilha” [arrecadou US$ 821 milhões. Gastou US$ 150 milhões], a DC Comics vem somando números abaixo das expectativas nas bilheterias de todos os seus filmes lançados nos últimos anos. Pior: crítica e público têm torcido o nariz para a qualidade das produções, sendo “Esquadrão Suicida” [2016] um exemplo acabado de como um filme ruim pode estragar bons personagens.

 

O maior drama da DC é justamente esse: apesar de contar, em seu universo, com alguns dos heróis e vilões mais aclamados da história dos quadrinhos, como Batman, Superman e Coringa, não tem aproveitado bem o carisma deles, ao inseri-los em produções de qualidade apenas mediana ou até mesmo ruim.

 

Foto 1 Aquaman

Os figurinos carnavalescos infantilizaram a produção da DC. [Foto: montagem com reproduções da internet]

Assim, dado o desgaste das principais estrelas de seu universo, restou à DC tentar investir nos super-heróis menos destacados, aqueles frequentemente considerados de segundo [ou terceiro] escalão. Foi nesse contexto que o estúdio, em parceria com a Warner Bros, lançou “Aquaman” [EUA, 2018, em cartaz desde 21 de dezembro], um filme sem grandes ambições, exceto a de tornar mais conhecido do grande público um herói sem destaque e, quem sabe, ainda faturar alguma grana nas bilheterias sem a necessidade de investir tanto na produção.

 

Deu certo, e como! Apesar de pouco festejado pelo público e colecionando críticas mornas, “Aquaman”, com apenas 20 dias após lançado, já é o filme de maior bilheteria da DC Comics desde “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” [2012], tendo arrecadado até agora 970 milhões de dólares na bilheteria – 30% a mais que “Liga da Justiça” em todo o tempo que esteve em cartaz –  e isso a um custo de produção bem menor [US$ 150 milhões]. Já nos próximos dias, “Aquaman” deverá ultrapassar a marca de 1 bilhão de dólares na bilheteria.

 

Artisticamente, “Aquaman” pouco tem a seu favor. O enredo nada tem de destacado em relação a outros filmes do gênero, e os clichês se acumulam em série, um após outro. Os personagens não têm o desenvolvimento adequado, os vilões são fracos, o figurino é pavoroso, os cenários são carnavalescos. As atuações são risíveis e as cenas de ação reduzidas a explosões e inundações superlativas e estéreis.

 

Aquaman

As cenas de ação são fracas, com inundações que pouco convencem [Foto: divulgação]

O sucesso de “Aquaman” na bilheteria, porém, não deixa de ser uma boa notícia para a DC: o filme salva o estúdio de afundar tal qual Atlântida, a cidade mitológica que guarda as origens do super-herói aquático; por outro, não deixa de ser um tanto constrangedor [e lamentável] que justamente o “ouro da casa” seja relegado a escanteio em prol do latão – afora a constatação perturbadora de que, aparentemente, o caminho rentável para o estúdio seja mesmo investir nas produções medianas, despretensiosas e com personagens de segundo e terceiro escalões. A vitória de “Aquaman”, assim, deve pôr água abaixo as expectativas dos que esperavam uma virada para melhor na qualidade dos filmes da DC.

 

Confira o trailer:

Barbeiro Digital