Conferimos “Vida”, com Jake Gyllenhaal

Ficção desperdiça recursos e talentos com uma trama fraca e sem personalidade

Cultura e Educação
Data: 1 de maio de 2017
arte barbearia digital -09

É sabido que a indústria do cinema em Hollywood, de alguns anos para cá, tem evitado investir pesado em materiais originais, por envolverem maior risco de não dar retorno financeiro.

 

Isso explica por que cerca de metade das superproduções estreadas e previstas para estrear em 2017 são continuações de filmes anteriores, em alguns casos já chegando ao oitavo episódio [caso de Velozes e Furiosos e Star Wars]. Em suma, a “marca” hoje importa mais que o produto em si.

 

Nesse contexto, difícil saber o que se passou pela cabeça de atores tão em alta quanto Jake Gyllenhaal e Ryan Reynolds para toparem participar de um projeto como “Vida” [em cartaz no Brasil desde 20 de abril]. Ou dos estúdios Sony para bancar seu orçamento de 60 milhões de dólares [sem contar os vultosos gastos com marketing e distribuição].

 

Afinal, trata-se de um material original que, no entanto, nada tem de essência ou carisma próprios, e ainda deixa os atores em situação de vexame [caso particular de Reynolds, reservado a papel pouco significativo, com cerca de dez minutos em cena].

 

A história é a seguinte: uma sonda enviada a Marte volta à órbita terrestre, e o material biológico que recolheu é recebido pela equipe de astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, com o propósito, adivinhe… de encontrar ali evidências de vida alienígena.

 

Um microorganismo em atividade celular é identificado pela equipe, e batizado de “Calvin”. No entanto, acontece algo inesperado, e aquele ser microscópico aparentemente inofensivo vai crescendo rapidamente e revelando seu lado monstruoso. O resto, nem precisa dizer, mas o leitor já deve imaginar.

 

A trama de Vida é tão ridiculamente previsível não porque a ideia central em si seja ruim, mas porque tudo ali não passa de material requentado, já visto em vários outros filmes. Embora a maior inspiração, obviamente, venha de Alien, o Oitavo Passageiro (1979), à medida que as cenas passam, facilmente se enxergam ali ideias “roubadas” de praticamente todos os filmes “de espaço” feitos nas últimas décadas, sem muita preocupação em reciclá-las de modo a dar-lhes ares de frescor.

 

Ao que parece, entretanto, a equipe de produção e o diretor Daniel Espinosa botaram fé na coisa, tanto que o final deixa um gancho para uma futura continuação – é, talvez eles achassem que isso renderia uma franquia.

 

Se o propósito maior do estúdio era obter retorno financeiro [e geralmente é], essa expectativa não foi atendida: já há um mês em cartaz nos Estados Unidos, Vida soma apenas US$ 29 milhões na bilheteria, e não se saiu muito melhor no resto do mundo. Ao que tudo indica, o filme mal vai conseguir se pagar

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