Dunkirk, a obra-prima de Christopher Nolan

Um dos maiores cineastas modernos confirma seu talento ao retratar um dos episódios mais emblemáticos da II Guerra

Cultura e Educação
Data: 10 de agosto de 2017
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Era maio de 1940. Alguns meses antes começara a Segunda Guerra Mundial, e as violentas ofensivas militares nazistas avançavam sobre a Europa Ocidental.

 

Astutamente, as tropas de Hitler que entraram na França forçaram o encurralamento de mais de 300 mil ingleses, franceses, holandeses e belgas na cidade costeira de Dunquerque: por terra, mar e ar, onde haviam tropas prontas para aniquilar os soldados aliados.

 

Apesar de a Inglaterra estar a apenas 250 Km de mar, o resgate das tropas era muito difícil. Durante vários dias, os solados encurralados viveram sob constante terror. De surpresa, a cada instante, o inimigo atacava com crueza ímpar, matando centenas de homens em poucos minutos.

 

Rapidamente, o pessimismo e o temor da derrota tomou conta de ingleses e franceses. Todos esperavam que as tropas fossem inteiramente aniquiladas pelos nazistas. Para evitar o desastre maior, o primeiro-ministro inglês Winston Churchill elaborou um plano para que pelo menos 45 mil homens pudessem ser resgatados, e assim pudesse sobrar algo das tropas, atrasando a vitória de Hitler.

 

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Então, inexplicavelmente [fato que até hoje intriga historiadores], a esperança se fez e um milagre aconteceu: a estratégia militar dos nazistas mudou e os ataques alemães recuaram – ao mesmo tempo, barcos de civis chegavam aos montes para resgatar os soldados. Ao final, mais de 240 mil foram resgatados.

 

O evento, conhecido como “Milagre de Dunquerque” foi fundamental para reacender a chama de esperança e de patriotismo dos aliados, sobretudo dos ingleses. Além disso, evitou uma vitória prematura dos nazistas e possibilitou que, algum tempo depois, os Estados Unidos ingressassem na guerra e ajudassem decisivamente a vencê-la.  Em suma, moldou o mundo como conhecemos hoje.

 

Plenamente ciente da importância histórica do que aconteceu em Dunquerque, Nolan confere a grandeza que ele merece e dirige um filme que penetra vários dos sentidos do espectador: a visão dos ataques é assustadoramente real, o som é cortante [se puder, assista em IMAX!], e a temática fortemente pautada na esperança e no heroísmo.

 

Filmado com preciosismo técnico ímpar [característica usual de Nolan], trata-se, sem dúvida, de um dos maiores filmes já feitos sobre a Segunda Guerra. Inova em vários aspectos, como a linguagem visual e o roteiro [com poucas falas].

 

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Por todas essas qualidades, é esperado que Dunkirk seja o primeiro filme de Nolan a ser premiado com um Oscar de melhor filme ou melhor direção. Embora já tenha feito grandes trabalhos [como Interestelare a trilogia O Cavaleiro das Trevas], o preconceito da academia de cinema com superproduções comerciais sempre foi um entrave para que o diretor fosse agraciado com prêmios de maior destaque.

 

Espera-se, portanto, que o esmerado trabalho do diretor em Dunkirk finalmente tenha o devido reconhecimento oficial.

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