Fragmentado: um bom suspense

Após mais de uma década acumulando fiascos, o diretor de O Sexto Sentido e Sinais finalmente volta a acertar o tom – ainda que cometendo alguns tropeços

Cultura e Educação
Data: 12 de abril de 2017
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Qualquer um que goste de suspenses psicológicos e tenha visto o trailer promocional de Fragmentado [Split, EUA, 2017, em cartaz no Brasil desde 23 de março] certamente ficou interessado em conferir o material.

 

Afinal, dava pra ver o ótimo James McAvoy interpretando um sujeito dotado de grave transtorno dissociativo de identidade, que sequestrava três garotas e as trancafiava em um porão, para depois, subitamente, transfigurar-se em uma senhora altiva e em um garotinho de nove anos. Tenso, não?

 

Soma-se a isso o sucesso inesperado de bilheteria que o filme teve em todo o mundo, chegando a liderar por três semanas consecutivas no mercado norte-americano e arrecadando globalmente, até o momento, 270 milhões de dólares [excelente resultado considerando o enxuto custo de produção, de apenas US$ 9 milhões].

 

Havia muito tempo [mais precisamente, uns quinze anos] que um filme do diretor M. Night Shyamalan não acumulava tanto sucesso de público e de crítica. Depois de começar muito bem com othriller O Sexto Sentido [1999] e se sair razoável com os dois filmes subsequentes, CorpoFechado [2000] e Sinais [2002], o cineasta entrou em uma má fase que parecia não ter fim.

 

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O filme O Sexto Sentido , até então, era a grande aposta do cineasta. Foto: reprodução/internet.

 

A partir de A Vila [2004], Shyamalan – que também escreve e produz todos os seus filmes [além de fazer pontas como ator] – passou a errar a mão especialmente no roteiro, abusando da ficção barata e da fantasia de quinta categoria, além de bolar os desfechos mais frustrantes possíveis. Já nas superproduções que dirigiu [O Último Mestre do Ar, de 2010, e Depois da Terra, de 2013], tropeçou feio até nos aspectos técnicos, como fotografia, edição e efeitos visuais. Além, claro, de render prejuízos para os estúdios que as financiaram.

 

Com a carreira em desgraça e vendo todas as portas dos grandes estúdios fechadas para si, restou a Shyamalan investir em produções de baixo custo, que de alguma forma recuperassem aquela verve que ele mostrou ter em seus primeiros filmes – e que chegou a fazer dele a promessa de um novo Steven Spielberg.

 

Depois de obter razoável sucesso nessa fórmula com A Visita [2015], ele agora vem com tudo em Fragmentado: orçamento apenas um pouco maior, um roteiro afiado e contando com a presença de um ator talentoso e carismático [James McAvoy, de O Procurado e X-Men: Primeira Classe], Shyamalan conseguiu finalmente recuperar boa parte da tensão e do mistério que caracterizaram suas obras mais famosas.

 

Partindo de dados factíveis – um indivíduo dotado de TDI, transtorno que o faz acumular várias identidades no mesmo corpo – ele adiciona pitadas de ficção e fantasia na medida certa para criar um autêntico thriller psicológico.

 

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O protagonista demonstra sua capacidade de atuação ao dar vida às diversas personalidades centrais do filme. Foto: reprodução/internet.

 

Não que o filme seja desprovido de pontos baixos. Muito pelo contrário: há alguns momentos bem baixos, que, para variar, estão concentrados justo no momento do clímax – o que dá, sim, um pouco de frustração pelo que o filme poderia ter sido, caso eles não existissem.

 

Entretanto, esses momentos de fraqueza não são suficientes para tirar o mérito do longa como um todo, que, em geral, entretém e envolve a plateia, além de ser muito melhor que a média dos últimos filmes do diretor. Aliás, para quem já viu Corpo Fechado, há uma surpresinha na última cena, que também sugere uma continuação.

 

Se você está em busca de uma sugestão para ir ao cinema no feriado, confere o trailer

 

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