Velozes e Furiosos 8 é nitroglicerina pura

Mais uma vez, a cinessérie que resiste firme ao tempo mistura ação insana à empatia inigualável dos protagonistas

Cultura e Educação
Data: 21 de abril de 2017
arte barbearia digital -13

No já longínquo ano de 2001, chegava às telas o primeiro Velozes e Furiosos, uma produção de médio porte direcionada basicamente ao público jovem masculino.

 

Naquela época, os produtores definiram como temática principal do longa os carros “tunados” disputando rachas, fazendo das máquinas os verdadeiros protagonistas, e dos personagens, meros coadjuvantes.

 

Entretanto, logo ficou claro que, para a plateia, os carros em si mesmos não exerciam tanta atração assim: era nos personagens, em especial Don [Vin Diesel] e Brian [Paul Walker], e sua disputa de machos alfa [depois convertida em bromance] que residia todo o “calor” do filme.

 

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Por mais evidente que isso fosse, os produtores chegaram a escorregar no segundo e no terceiro episódios, feitos sem a participação de Diesel e sua trupe, só retomando as rédeas no quarto.

 

A partir de então, a série assumiu de vez que “o que mais importa é família” [bordão de Don] e passou a deixar os carros em segundo plano, focando a atenção nos rostos já conhecidos, e adicionando novos igualmente carismáticos. Vale dizer: com uma bem-vinda pitada de diversidade étnica.

 

Prova da empatia do público com os personagens foi a comoção com a morte de Paul Walker [em 2013, por ironia, em um acidente com um carro de corrida], que ajudou a render a Velozes e Furiosos 7 [último com a participação do ator] uma impensável bilheteria de 1,5 bilhão de dólares.

 

Neste oitavo episódio [em cartaz no Brasil desde 13 de abril], apesar de Walker não estar mais presente, seu lugar parece ter sido bem ocupado por outros integrantes da família Toretto, com destaque para Luke [Dwayne Johnson] e Shaw [Jason Statham]. E o gordo orçamento de 250 milhões de dólares deu ampla liberdade à direção para bolar as mais espetaculares – e improváveis – cenas de ação.

 

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O resultado é um filme que, malgrado já ser o oitavo de uma cinessérie com dezesseis anos de existência, não apresenta qualquer sinal de cansaço na fórmula que vem adotando e aperfeiçoando desde Velozes 4: misturar a empatia dos personagens com muita, muita ação.

 

E não é uma ação qualquer: é incessante, insana, explosiva. E para lá de inverossímil também. Aliás, aí que entra em jogo o último elemento a explicar o sucesso da série: o humor voluntário, a capacidade de fazer com o que o ridículo não pareça ridículo, e simplesmente… divertido!

 

A longevidade de Velozes e Furiosos [que já tem previstos um nono e um décimo episódios] prova a capacidade de seus realizadores de captar os desejos e emoções da plateia e responder à altura. Se continuarem acertando assim, a família Toretto vai continuar presença garantida nos cinemas por muito tempo.

Barbeiro Digital