Há vida após o câncer de próstata

Tratamentos avançados podem garantir a recuperação da função erétil, o tamanho do pênis e a realização do sonho da paternidade

Saúde
Data: 9 de novembro de 2016
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Novembro começou e, certamente, você já foi abordado por alguém com uma fita azul no peito, uma publicidade sobre a saúde do homem ou, simplesmente, escutou a expressão “novembro azul”. O apelo é legítimo!

 

Este foi o mês escolhido para promover a conscientização do Câncer de Próstata, e no Brasil os números são assustadores. O Instituto Nacional de Câncer – INCA – estima que 61.200 novos casos da doença devam surgir até o último dia deste ano. Ou seja, aproximadamente 61,80 novos acometidos a cada 100 mil homens.

 

Porém, antes do desespero típico do medo são necessários alguns esclarecimentos. O mais importante é: há cura! Há vida após o câncer de próstata. Sobretudo, se diagnosticado precocemente, assim como a maioria dos tipos de câncer.

 

Até a década de 60, poucos adolescentes e adultos jovens sobreviviam ao diagnóstico e tratamento inicial de câncer. Atualmente, com os avanços dos tratamentos multimodais [que combinam quimioterapia e radioterapia] mais de 80% destes pacientes conseguem obter a cura quando a doença é diagnosticada no início.

 

 

 

Male anatomy of human organs in x-ray view

Os fatores que causam a doença ainda são desconhecidos, mas os tratamentos já avançaram. [Foto: reprodução/internet]

 

Informação a favor da vida

 

Embora sejamos favorecidos pelos avanços da medicina no tratamento deste tipo de doença, ainda somos reféns daquilo que segue oculto. Ainda não se sabe o porquê do aparecimento do câncer de próstata, por exemplo. Mas já é possível afirmar que fatores como idade [o pico de incidência da doença ocorre aos 65 anos], histórico familiar, sedentarismo, etnia, má alimentação e elevados níveis de testosterona aumentam os riscos da doença, tornando-a a segunda que mais atinge homens em todo o mundo. O câncer de próstata perde apenas para o câncer de pele.

 

Diferente do que muitos imaginam, o problema não atinge somente aos idosos. Seu pico de incidência está entre 65-70 anos sim, porém, existe um aumento progressivo e significativo a partir dos 40 anos. Portanto, não tem jeito. A prevenção o grande segredo!

 

Hoje a maioria dos casos são diagnosticados precocemente. Esses casos são vistos em homens que podem não ter nenhum sintoma e simplesmente descobrem através da prevenção, com a realização de toque retal e do exame sanguíneo de PSA [antigen prostático específico]. Quando o câncer de próstata apresenta sintomas, muitas vezes se encontra em estágio avançado”, afirma o diretor do Instituto Paulista, Dr. Carlos Augusto Araújo.

 

É importante alertar para as mudanças que ocorrem no corpo com o passar dos anos. Com o envelhecimento a próstata aumenta. Fato! Porém, isso não significa necessariamente a presença de câncer. O problema é conhecido como Hiperplasia Benigna da Próstata [HBP] e deve aparecer em praticamente todos os homens com o envelhecimento. “Esse crescimento pode ou não estar ligado ao câncer,  é  preciso voltar a atenção para outros sintomas como: atraso ou esforço para finalizar a micção, micção dividida em dois ou mais tempos, dificuldade em urinar com a bexiga cheia, sangue ou ardor em urinar, gotejamento ao final da micção e disfunção sexual “, acrescenta Augusto Araújo.

 

 

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A impotência sexual  ainda é o maior medo dos pacientes

 

Historicamente relacionada a nossa virilidade e masculinidade, a impotência sexual é um dos grandes medos dos homens acometidos pelo câncer de próstata, segundo os profissionais que tratam da patologia.

 

Um dos primeiros questionamentos em consultório refere-se a impotência sexual após o tratamento, geralmente cirúrgico. “A  resposta é: calma, hoje há tratamentos eficazes. A maioria dos pacientes recupera a potência sexual a partir do sexto mês. Esperamos até um ano a recuperação progressiva. Somente cerca de 30% dos pacientes não recuperam neste período“, conta o Dr. Araújo.

 

Convenhamos: 30% não é um número tão pequeno assim. Mas, para isso existem outras respostas. O próprio estilo de vida do paciente torna-se determinante nesta estatística. Hipertensos, fumantes ou diabéticos  tem mais chances de disfunção erétil após a retirada da próstata. Depois da cirurgia, pode acontecer  do nervo responsável pela ereção ficar por um tempo adormecido, mas na maioria dos casos, ele logo volta. Já as chances de incontinência urinária são de 3% a 5%.

 

 

Tratamentos podem garantir a função erétil e o tamanho do pênis

 

Hoje a impotência sexual é totalmente tratável, assim como a incontinência urinária. Após 60 dias do procedimento já iniciamos o tratamento com os medicamentos via oral. Após um ano, período em que o paciente tem chance de recuperar a função erétil, usamos métodos como injeções no pênis ou próteses penianas. Todos os pacientes devem se conscientizar que há tratamento“, garante o especialista.

 

A maioria dos pacientes que se submetem ao tratamento cirúrgico do câncer de próstata acabam com um tamanho de pênis menor, porém  na cirurgia de implante da prótese, duas questões podem ser solucionadas: a recuperação da função erétil e o tamanho do órgão sexual. Os implantes podem ser maleáveis, articuláveis e infláveis [de 2 e 3 volumes]. A escolha do melhor implante depende da experiência do cirurgião com a real situação do pênis do paciente.

 

Se o pênis está menor, somente o implante não aumenta e não recupera o tamanho do pênis. O que recupera tamanho é a reconstrução peniana, o tratamento da fibrose, o alongamento da haste peniana até o limite dos nervos, vasos sanguíneos e uretra e o implante feito no mesmo ato cirúrgico. Assim, conseguimos alcançar a recuperação física e a auto-estima dos pacientes, finaliza o  andrologista, Dr. Carlos Augusto Araújo.

 

 

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Próteses penianas infláveis surgem como aliadas no tratamento da disfunção erétil. [Foto: reprodução/internet]

 

Assegurando a paternidade

O que muitos homens ainda não sabem [tema ainda pouco explorado pelos oncologistas] é que o tratamento do câncer de próstata afeta diretamente a fertilidade masculina.Infelizmente, o aumento da sobrevivência e a melhora na qualidade de vida dos homens diagnosticados com a doença não têm sido acompanhados da diminuição dos efeitos nocivos decorrentes do tratamento sobre a fertilidade, mesmo sendo em adolescentes e adultos jovens”, explica o embriologista e médico especialista em medicina reprodutiva, João Eduardo Pinheiro, diretor da Clínica Fertibaby, em Fortaleza.

 

Além dos efeitos nocivos da quimioterapia e da radioterapia à fertilidade, o próprio câncer por si só pode causar danos irreversíveis aos espermatozoides. Segundo João Pinheiro, cerca de 10% dos pacientes que vão se submeter aos tratamentos de câncer, apresentam oligozoospermia, redução na quantidade do número de espermatozoides presentes no líquido ejaculado, ou, azoospermia, ausência total de espermatozoides no líquido seminal.

 

Portanto, nos casos de desejo de paternidade, o recomendado é a preservação da fertilidade através do congelamento de amostras do sêmen nos laboratórios de criobiologia. Isso deve ocorrer antes do início do tratamento com quimioterapia ou radioterapia.

 

O método é realizado a partir da coleta de várias amostras de sêmen para armazenamento antes do tratamento. A coleta é feita por meio da masturbação, ou através de técnicas como estimulação vibratória peniana, eletroejaculação retal, aspiração espermática do epidídimo e extração espermática testicular,  indicadas para pacientes com diagnóstico de oligo ou azoospermia.

 

Após a coleta, a amostra de sêmen deve ser congelada o mais rápido possível, para preservar as condições de qualidade. No laboratório, o sêmen é preservado em meios líquidos e substâncias crioprotetoras em frascos especiais, rotulados com os dados do paciente e, em seguida, armazenados em tanques de nitrogênio líquido, que preservam as amostras por tempo indeterminado em temperaturas de 196 graus Celsius negativos, para uso posterior”, explica João Pinheiro.

 

Independente dos medos e perspectivas para o futuro a prevenção ainda é o melhor tratamento. Portanto, cuide-se! Procure um especialista e avalie suas condições de saúde.

 

Vamos juntos celebrar o novembro azul!

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