Quando o Câncer de Mama nos atinge

Pouco conhecido o número de casos de câncer de mama em homens tem crescido no Brasil

Saúde
Data: 15 de outubro de 2019
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Em 2012, o carioca Hélio Pepe descobriu um nódulo em sua mama. Era maligno. A cirurgia ocorreu em 2013. Porém, o câncer voltou e, em maio do ano passado, Hélio retornou ao centro cirúrgico para a retirada de mais um tumor e toda a sua mama.

Casos como o do Hélio ocorrem em virtude do agravamento provocado pelo pouco tecido mamário existente no corpo masculino, segundo análise da médica Fabiana Tonelotto, chefe do Serviço de Mastologia do Hospital do Câncer 3 (HC3), unidade do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). “Como a mama é pequena e atrofiada no homem, não tem tecido para que se faça uma cirurgia conservadora. E como o homem tem pouco tecido mamário, há mais facilidade de o câncer infiltrar na pele e no músculo posterior do peito, provocando metástase”, explica a médica alertando para a importância do diagnóstico precoce.

Hélio é um dos brasileiros que, até ser acometido pela doença, nunca tinha ouvido falar que o câncer de mama também pudesse afetar homens. Ele faz parte da estatística que aponta os homens como 1% dos casos. Os dados oficiais mostram que para cada 100 mulheres diagnosticadas com câncer de mama, existe um homem atingido pela doença. Porém, o número de óbitos em virtude da doença tem crescido nos últimos anos. Em 2015, foram 187 homens que perderam a vida em decorrência da doença. Já em 2017 o número saltou para 203.

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Pelo terceiro ano consecutivo o portal Barbearia Digital realiza a campanha “O Câncer de Mama também é da nossa conta”. O objetivo, segundo o editor do site, é levar o conhecimento sobre a existência da doença e, com isso, colaborar para o diagnóstico precoce. “Devido aos índices menores que em mulheres, o problema é pouco abordado. Isso tem contribuído para o crescimento do número de mortes. Quando descobrem o câncer de mama os homens já estão com metástase”, argumenta Leandro Queiroz.

 

Sintomas e tratamento

A médica Fabiana Tonelotto alerta que os homens devem estar atentos a qualquer mudança ou alteração nas mamas.

Retração de pele, aparecimento de nódulos ou caroços, secreção pela aréola [mamilo], gânglios ou ínguas nas axilas são os sintomas mais comuns de câncer de mama em homens, além de vermelhidão na área do peito e coceira.

O autoexame é importante para a avaliação da área pelos pacientes. Ao detectar qualquer alteração o homem deve procurar o mastologista que irá avançar na investigação solicitando exames como a mamografia. “Sempre que ocorre um caso de câncer de mama em homens, é preciso avaliar todas as mulheres da família, porque pode haver uma mutação genética de BRCA [família de genes], o que aumenta o risco de ter a doença”, explicou a médica ao atestar que também pode ser pedido um teste genético.

O tratamento para os homens é igual ao das mulheres, com radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e mastectomia [remoção da mama]. Nestes casos é quase desnecessário que o paciente faça uma reconstrução da mama, porque os homens não possuem mamas grandes. O que pode ser feito é a tatuagem do mamilo ou aréola.

 

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Na próxima semana iremos ensinar a realizar o autoexame das mamas. Acompanhe as nossas postagens aqui e em nossas redes sociais.

 

Fonte: Agência Brasil; Ministério da Saúde; INCA.

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