A arte de bater com os punhos

A Barbearia Digital visitou um treino de boxe no Centro de Treinamento Alexandre Nogueira para conhecer um pouco mais a nobre arte. Confira!

Esporte
Data: 15 de outubro de 2015
(Créditos: Maggie Paiva)

Como quase todo esporte que envolve disputa física, o boxe não foge de alguns estereótipos comuns, especialmente os relacionados a violência, a visão do sangue nos ringues eventualmente faz com que as pessoas esqueçam que a luta representa um esporte antigo, com muita história pra contar. “As pessoas viam o sangue saindo e muita gente tinha medo de praticar pensando que isso sempre iria acontecer”, conta Dimitrio Coelho, de 42 anos, professor de boxe há 3.

Encontramos Dimitrio no Centro de Treinamento Alexandre Nogueira, em Fortaleza, onde dá aulas de boxe. Ele falou sobre como a formação de um professor de boxe é diferente, mais simples. “Tendo uma noção, tendo já praticado, tendo a técnica a ser passada, ele já pode fazer isso, mas existem as federações que vão lhe dar uma certificação para que você possa dar aula”, contou.

Por ser um esporte que respeita o oponente caído, o boxe é conhecido como “nobre arte”, ainda que não seja uma arte marcial, como conta o treinador, “ele não é uma arte de guerra, arte marcial é uma arte de guerra, ele não foi desenvolvido para guerras, ele foi desenvolvido para disputas pessoais em jogos”.

 

História

 

Jab, direto, cruzado e gancho são os golpes característicos do boxe, esporte que começou a ser praticado na Grécia e na Roma antigas, cerca de 1500 anos antes de cristo. A aparente violência dos golpes não impediu o esporte de figurar entre as categorias dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, onde ganhou as primeiras regras.

Já no século XIII, na Inglaterra, o boxe começou a crescer, atraindo mais espectadores, praticantes e lutadores. Foi o Marquês de Queensbury que viu que era preciso uma regulamentação, para que ficasse menos violento e mais parecido com um esporte.

Com as mudanças, as lutas passaram a ser feitas em ringues, os lutadores passaram a ser divididos em pesos e categorias, além de usarem luvas e protetores. O público passou a ser separado dos lutadores e os rounds tiveram seu tempo limitado a 3 minutos. Demorou alguns séculos, mas enfim o boxe ficava mais parecido com o que conhecemos hoje.

 

Vida saudável

 

Hoje em dia, no entanto, não é necessário ser um lutador para a praticar o boxe. Segundo o treinador, tem crescido a procura por parte daqueles que buscam apenas condicionamento físico e resistência por meio da prática de um esporte saudável.

Marcela Borges, de 34 anos, pratica boxe há 3 meses e conta que a principal motivação para começar a praticar o esporte foi justamente o desejo de melhorar seu condicionamento físico, e ela conta que já percebe as mudanças, “mudou em relação a resistência física, mudou em relação ao equilíbrio, mudou em relação a postura corporal, mudou tudo”, afirma.

 

No Brasil

 

Lá fora, o boxe já é um esporte consagrado, disso não restam dúvidas. O esporte é um dos que mais movimentam dinheiro em cada evento, como aconteceu na luta que ficou conhecida como entre Floyd Mayeather e Manny Pacquiao, onde os boxeadores dividiram uma bolsa de 300 milhões de dólares e as apostas alcançaram os 400 milhões.

No Brasil, a situação é diferente, faltando principalmente o incentivo a esse esporte. Segundo Dimitrio, “aqui no Brasil essas lutas não são tão compensatórias, a não ser que seja um amador que queira participar das olimpíadas, então ele treina com esse objetivo”.

Apesar das dificuldades, o boxe é um esporte que continua crescendo no Brasil e no mundo. Por aqui, ele tem alcançado mais visibilidade graças ao crescimento do MMA (Mixed Martial Arts), “com a prática do MMA e as pessoas vendo que o boxe é necessário, muita gente tem procurado o boxe para associar suas artes na prática do MMA”, conta o treinador.

Mas se engana quem pensa que a visibilidade desse esporte está restrita a nova geração ou ao caminho aberto pelo MMA, o Brasil tem seus próprios ídolos do boxe, como Popó, Maguila e Éder Jofre, o “galinho de ouro”.

 

Futuro

 

Não se pode negar, os lutadores brasileiros fizeram história no boxe mundial, Éder Jofre, por exemplo, é considerado por especialistas o maior peso-galo do boxe da era moderna. O país ainda tem, desde 1933, a Confederação Brasileira de Boxe, além de federações divididas por vários estados do território nacional.

Parecem ingredientes de uma receita de sucesso para expansão do esporte por aqui. E, embora o boxe tenha seu reconhecimento nas terras tupiniquins, ainda há muito caminho pela frente e espaço para crescer, ou quem sabe voltar a ser o que era nas décadas de 80 e 90, quando Maguila ou Popó lutavam.

Para Dimitrio, o que está faltando são campeonatos e publicidade como formas de incentivo. “Eu acredito que os campeonatos sejam bastante importantes, a volta do boxe para a TV aberta. Aqui no brasil falta isso, a propaganda, a publicidade em cima do esporte, mas a gente tem tido bastante avanço nessa área, tem crescido bastante”, conta.

 

 

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