Futebol Americano, NFL e danos cerebrais

O novo filme de Will Smith, Concussion, reascende as discussões sobre os riscos do futebol americano e a responsabilidade da NFL na ocultação destes perigos.

Esporte
Data: 16 de setembro de 2015
Futebol-Americano-e-danos-cerebrais-Barbearia-Digital

Baseado em fatos reais, o filme Concussion conta a história de Bennet Omalu, neuropatologista que travou acirrada batalha para que a National Football League (NFL) divulgasse os danos cerebrais que os sucessivos impactos das partidas causavam em seus jogadores. O longa, estrelado por Will Smith, estreia em janeiro de 2016 e promete reascender as discussões sobre a temática.

A Barbearia Digital se antecipa a esta polêmica anunciada e explica pra você que não sabia (ou não lembrava) quais as relações entre Futebol Americano e danos cerebrais.

 

Entenda a polêmica

 

A National Football League (NFL) é a maior liga de Futebol Americano do mundo, com 32 times nos Estados Unidos e renda anual de mais de 10 bilhões de dólares. A final do seu campeonato, o Super Bowl, é o segundo evento esportivo mais assistido mundialmente.

Não é de hoje que a liga é acusada de esconder os prejuízos que as concussões durante as partidas podem causar em seus atletas. Tudo começou em 2002, quando Omalu realizou a autópsia do ex-jogador Mike Webster, e constatou danos cerebrais causados pelos jogos.

Enquanto os estudos relacionando futebol americano e doenças degenerativas iam ganhando força dentro da comunidade médica, a NFL era acusada de esconder os riscos de seus jogadores e tentar desacreditar os médicos envolvidos nos estudos.

Em 2009, Jeanne Marie Laskas publicou na Revista GQ americana uma matéria sobre Omalu e o caso Mike Webster. No mesmo ano, os perigos do futebol americano chegaram a ser discutidos no Congresso dos Estados Unidos.

Desde o caso Webster, a NFL vem sofrendo diversos processos de ex-jogadores. O de maior repercussão foi em 2013, quando a Liga entrou num acordo de US$ 765 milhões com cerca de 4,5 mil ex-jogadores portadores de problemas neurológicos graves. Os ex-atletas registravam casos de esclerose lateral amiotrófica (ELA), mal de Alzheimer e outros tipos de demência. O processo beneficiou 18 mil ex-jogadores, estivessem ou não no processo.

Também em 2013, os jornalistas Steve Fainaru e Mark Fainaru-Wada, da ESPN, lançaram livro e documentário sobre a temática, intitulados League of Denial (em português, “Liga da negação”), acusando a NFL de esconder os danos permanentes causados pelos sucessivos impactos dos jogos.

A Liga nega as acusações de que tenha escondido informações a respeito dos riscos.

 

Os danos e as medidas para reduzi-los

 

Uma pesquisa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), de 2012, detectou que a taxa de mortalidade por Alzheimer ou ELA é quatro vezes maior entre atletas que passaram cinco ou mais anos jogando na NFL. Já a Universidade de Boston fez a autópsia de mais de cem cérebros doados por familiares de jogadores, nos quais detectou alto índice de Encefalopatia Traumática Crônica.

Com o avanço dos estudos comprovando os riscos à saúde dos jogadores, a comunidade esportiva vem modificando regras na tentativa de garantir maior segurança aos atletas. A própria NFL já desenvolveu seus próprios métodos para detectar danos cerebrais em jogadores assim que saem de campo. Mas novas pesquisas sobre os perigos do esporte não param de surgir.

 

Pra quem é praticante

 

A Barbearia Digital conversou com o fisioterapeuta Dr. Carlos Felipe, pós-graduando em fisioterapia esportiva e traumato-ortopedia e ex-presidente da Federação Cearense de Futebol Americano. Para ele, “em toda atividade (física) existe um risco de lesionar”, por este motivo, é imprescindível para quem é praticante o uso de todos os equipamentos de proteção (capacete, ombreiras, coquilha, chuteira apropriada para a função no jogo…), bem como a atenção às normas em relação ao tipo de gramado, aos exercícios, etc.

Sobre o Concussion, o fisioterapeuta acredita numa repercussão positiva do filme, que ajude na conscientização dos próprios praticantes. “A colisão (durante os jogos) existe, mas, se o atleta respeitar as regras, pode evitar 90% das lesões”, opina. Por isso, nada de ver os árbitros como inimigos: “as faltas nesse esporte são infinitas, (e existem) para preservar a integridade do atleta, tanto do que sofre a falta, quanto do que faz”. Carlos Felipe também lembra que “o esporte é para o lazer e exige disciplina”.

 

Confira o primeiro trailer de Concussion:

Com informações da BBC Brasil.

Barbeiro Digital