Krav Magá: A arte de saber resistir

Uma arte de defesa pessoal sem regras e competições, mas com muita técnica até para defesa contra as agressões sofridas dentro do transporte coletivo

Esporte
Data: 21 de junho de 2017
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Arte, técnica, autocontrole, equilíbrio emocional, coragem, paciência, defesa e objetividade são alguns dos componentes que fazem do KravMagá o que ele é, uma arte acessível de defesa pessoal, uma filosofia, cujo trabalho vai do corpo à mente, do intelecto à espiritualidade.

 

Com um nome que pode ser entendido como “combate de curta distância” e técnicas voltadas para situações reais, o Krav Magá é a única luta classificada como arte de defesa pessoal e não marcial, onde o praticante está sempre em uma posição defensiva, e não ofensiva, preparado a lidar com agressões e outras situações de violência do dia a dia, razão pela qual a técnica não possui regras ou competições.

 

“Eu não saio na rua atrás de violência, mas a violência vem até mim. Quando ela chegar, eu vou estar na posição defensiva e reagir quando for necessário. Eu vou defender e contra-atacar para sair daquela situação”, explica o Professor Fred Carneiro, vice-presidente da Federação Sul-Americana de KravMagá e faixa preta 3º dan na técnica.

 

O portal Barbearia Digital acompanhou, em Fortaleza, um treinamento da arte de defesa pessoal específico para defesa no transporte público. Aprenda técnicas do Krav Magá contra ataques com facas.

 

 

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Dentro de um ônibus alunos e ex-alunos aprendem técnicas de defesa contra agressões sofridas dentro de veículos do transporte coletivo [Foto: Maggie Paiva]

 

Linha do tempo

Criado em meados dos anos 1940, no violento contexto de perseguição aos judeus e outros grupos, o KravMagá foi desenvolvido pelo judeu-húngaro ImiLichtenfeld, que descobriu no próprio corpo e movimentos as principais ferramentas das quais necessitava para se manter vivo em meio aos horrores da II Guerra Mundial.

 

“O ImeLichtenfeld criou essa técnica para que qualquer pessoa pudesse sobreviver a uma situação e ir para um lugar seguro. Para que ninguém fosse obrigado a ir para nenhum lugar que não quisesse ir”, contra o Professor Fred.

 

Com o fim da guerra, a arte, que encontrou berço nos movimentos de resistência de judeus, achou espaço para se expandir e amadurecer em Israel, onde passou a ser ensinada à elite militar israelense e, posteriormente, aos militares em geral e aos próprios civis.

 

Mas foi apenas em 1987, que a arte foi liberada para atravessas mares, saindo de Israel para se lançar em outros países. Três anos depois, Mestre Kobi, que treinou diretamente com Lichtenfeld, traria o KravMagá na mochila para o Brasil, onde a técnica se expande cada vez mais.

 

Atualmente, o Brasil, junto a países como Argentina e México, é uma das nações vinculadas à Federação Sul-Americana de KravMagá, uma das mais renomadas em todo o globo, fiel aos princípios que nortearam a técnica desde o início.

 

 

Na Terra da Luz

Um dos responsáveis pela expansão do Krav Magá em território nacional é o próprio Professor Fred Carneiro. Carioca de nascimento – o sotaque não o deixa mentir –, ele conheceu a arte pelo próprio Mestre Kobi, de quem acabou discípulo. “Eu vi uma demonstração dele por acaso, ninguém sabia o que era Krav Magá”, conta.

 

Formado em direito e com uma vida dedicada ao comércio, Fred deixou tudo para trás em 2008, quando resolveu se mudar para a Fortaleza, na busca pela expansão da arte que ele conheceu logo no início de 1990.

 

“Dos estados que ainda não tinha, eu achei que aqui no Ceará tinha um bom potencial. Eu resolvi tentar aqui. Deixei tudo lá e me transferi pra cá”, revela. E deu certo. Com o trabalho realizado em Fortaleza, o professor já formou outros dois instrutores, sendo os três os únicos autorizados a dar aulas de Krav Magá em todo o estado.

 

Hoje, com vinte anos como professor e quase três décadas de treino, Fred ainda dá aulas em diversas academias em Fortaleza, além de se manter sempre em treinamentos, reciclagens e cursos, “para manter o nível dos instrutores no maior padrão possível”, garante.

 

 

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O Professor Fred Carneiro, vice-presidente da Federação Sul-Americana de Krav Magá e responsável pela difusão da técnica no Ceará. [Foto: Maggie Paiva]

 

Lado ruim

Mesmo a difusão do Krav Magá, no entanto, tem seus aspectos negativos. O principal deles, de acordo com Fred, é o surgimento de falsos profissionais, aproveitadores descompromissados com os alunos e com a própria arte, da qual se passam como instrutores.

 

“Infelizmente, em todo o Brasil e em todo o mundo, depois que o criador do Krav Magá morreu, o Krav Magá acabou tomando outros caminhos mais comerciais. Aparecem os aproveitadores, pessoas que fizeram alguma arte marcial, fazem cursinhos relâmpagos de dois dias e já saem tentando dizer que são instrutores”, conta.

 

De acordo com o professor, o Ceará é um dos estados onde mais existem “falsos instrutores”, cujas aulas, no lugar de ajudar uma pessoa a se defender em uma situação real, pode gerar até mesmo o efeito contrário, fruto de uma técnica mal repassada por alguém desqualificado para fazê-lo.

 

No site oficial da Federação Sul-Americana [www.kravmaga.com.br], no entanto, é possível encontrar, entre outras informações, o currículo de cada professor supervisionado pela organização, além da localização de academias onde os mesmos têm turmas. “Quem não estiver ali é algum ‘malandro’”, alerta.

 

 

Defesa no transporte público

Mas se engana quem pensa que o Krav Magá fica apenas nas academias. A cada ano, em todos os estados onde a arte já encontrou morada e público, acontecem seminários organizados como mini cursos, ora voltados apenas a alunos e participantes, ora aberto a interessados que nunca tenham praticado.

 

Com um tema diferente abraçado a cada ano, os seminários organizados em Fortaleza já foram das brigas generalizadas às ameaças com faca, sempre pensando em situações que qualquer um possa viver no dia.

 

No seminário deste ano [o único, por conta de outros eventos do calendário da Federação Sul-Americana], não poderia ser diferente. Os alunos e ex-alunos que compareceram ao treinamento na capital cearense foram ensinados a se defender de situações que ocorrem dentro de veículos do transporte público, do assalto à ameaça.

 

“É um ambiente peculiar, porque é uma cadeira apertada, às vezes tá cheio, às vezes você tá na janela, às vezes no corredor. Às vezes você tá em pé. Pode ser um ônibus, pode ser metrô, pode ser trem”, explica o Professor Fred.

 

Com tempo limitado, os seminários – com duração de um dia – não se atém aos detalhes, abordando de forma principal as particularidades necessárias a cada tipo de situação. Por essa razão, o professor defende: para se sentir ainda mais seguro, independentemente da situação, o ideal é estar sempre em treinamento.

 

“É mais para dar um apanhado geral, entenderem. Tudo que se fala dentro de um seminário desse são respostas que o Krav Magá tem para aquelas soluções especificas. O Krav Magá tem resposta pra qualquer tipo de agressão que você imaginar”, finaliza.

 

Acompanhe o treinamento:

 

 

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[Fotos: Maggie Paiva]

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