Vai ter Copa?

Desempenho da Seleção Brasileira sob o comando do técnico Dunga nas eliminatórias coloca a equipe em risco iminente de algo que nunca aconteceu antes. Ficaremos, pela primeira vez, fora de uma Copa do Mundo?

Esporte
Data: 3 de abril de 2016
[Créditos: Wilton Júnior]

Com o empate em 2 a 2 contra Paraguai, em Assunção, na terça, 29, a Seleção Brasileira caiu três posições na classificação das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo 2018. O sinal amarelo foi oficialmente ligado.

Com uma sequência de empates, uma derrota e apenas duas vitórias – sobre a Venezuela e o Peru – na competição, a seleção não vai bem, preocupando o alto escalão da CBF e o torcedor, que vai perdendo a paciência.

O futebol apresentado dentro de campo não empolga, seduz ou encanta como outrora e começa a se questionar setores do time, posição dos jogadores, lista de convocados e, principalmente, o técnico.

 

 

Tem, mas “tá” faltando

 

É bem verdade que o técnico Dunga já deu muitas alegrias à seleção canarinho. Impossível esquecer, por exemplo, sua atuação como volante e capitão da seleção que seria tetracampeã do mundo em 1994, no Estados Unidos.

Como técnico, no entanto, falta ao gaúcho transmitir à nova geração de boleiros da seleção a garra, o brio e mesmo o orgulho em vestir a camisa amarela que caracterizaram sua própria trajetória como volante do Brasil.

“Acredito que a CBF viu o Dunga da copa de [19]94, o líder do campo, aquele que motiva a equipe. Na verdade, esse é o grande papel do treinador, motivar sua equipe. Esses caras treinam nos melhores times do mundo e não têm mais o que aprenderem”, comenta o administrador financeiro Ismael Rodrigues.

Diante disso, Ismael acredita não só na classificação da Seleção Brasileira para a Copa, quanto na continuação do trabalho de Dunga como técnico. “As eliminatórias ainda têm muito chão e está tudo muito nivelado […]. Essa cultura brasileira de querer tirar técnico na primeira crise tem que acabar”, afirma.

O estudante Erick Nobre, por outro lado, acredita que o treinador da Seleção já deveria ter deixado o cargo. “Ele não tem o perfil para fazer o time evoluir enquanto coletividade”, afirma.

Nas eliminatórias, para ele, são equipes como Argentina, Chile, Uruguai e Equador que devem garantir vaga. “Acho que a seleção tem grandes chances de não classificar“, completa.

 

 

Mal acostumados

 

Desde sua primeira contratação para o cargo, em 2006, até outubro de 2015, o aproveitamento do gaúcho como técnico do Brasil é de pouco mais de 78%, superior aos aproveitamentos de técnicos como Mano Menezes e Felipão.

Já do retorno de Dunga como técnico, em 2014, até agora, foram 22 jogos no comando da Seleção, sendo apenas duas derrotas [uma delas pelas eliminatórias], quatro empates e dezesseis vitórias.

Mas os problemas vão muito além dos números ou da terrível campanha que a seleção fez no primeiro terço das eliminatórias. De decisões extracampo à falta de pulso como técnico, Dunga enfrenta ainda “acusações” de deixar de lado, por pura “birra”, jogadores que poderiam contribuir para a seleção.

Pouco se sabe, por exemplo, sobre os motivos que impedem o treinador de convocar brasileiros como Lucas, que vive ótima fase no PSG, para os jogos.

Apesar do que os números podem mostrar, o momento é ruim, a atuação da seleção não convence, a do técnico, tampouco. Crescem, entre campanhas e piadas da internet, as vozes que cobram mais os jogadores e pedem, efetivamente, a saída de Dunga

Fomos mal acostumados a ver grandes espetáculos. Por exemplo, […] a [seleção] de [19]94, os únicos que tinham um futebol mais refinado eram o Bebeto e o Romário, os outros eram na raça e na força. E é isso que vejo faltar na seleção atual, vontade de jogar”, opina Ismael.

 

 

Para nós, vai ter copa?

 

Números razoáveis, problemas extracampo, convocações questionáveis, falta de vontade nos jogadores, falta de pulso do treinador. O momento que a Seleção vive em uma competição tão importante e mesmo a falta de bons nomes para substituir Dunga.

Uma gangorra de considerações que pesam nos jogos e podem definir, para o bem ou para o mal, o futuro incerto do treinador e da nossa própria Seleção.

Com 12 rodadas de eliminatórias pela frente, é inevitável não lembrar das eliminatórias para o Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil, em uma situação muito semelhante à que vive no momento, se classificou apenas na última rodada, com a vitória de 3 a 0 diante da Venezuela.

“Em 2002, vi uma história parecida, jogadores desacreditados e treinadores sem confiança. A diferença é que a torcida abraçava o time”, conta o estudante – e torcedor – Lucas Bernardo.

Se isso conforta ou apavora os impacientes, e cada vez mais frustrados e distantes, torcedores em relação às decisões tomadas pelo técnico Dunga e a atual posição da Seleção no classificatório, é impossível dizer.

Mas se estamos mesmo vendo a história de 2002 se repetir, seria muito esperar um técnico que transmitisse garra, como o Felipão de 2002, e uma seleção que jogasse com força e vontade, como a de Ronaldo e Rivaldo, para, quem sabe, ver nossa seleção ser campeã novamente?

“Temos que aprender muitas coisas ainda com o 7 a 1″, reflete Ismael. Há quem diga que o 7 a 1 foi pouco.

 

Barbeiro Digital