Homem. Arte. Vida. “Lili”

O real significado de moda politizada invadiu a passarela do Dragão Fashion Brasil durante o desfile de Lindebergue Fernandes

Estilo
Data: 6 de maio de 2016
[Créditos: Maggie Paiva]

Imagine um Lampião e sua vida influenciada pela personalidade de Napoleão Bonaparte. Junte a isso a grave crise política que afeta o Brasil contemporâneo. Acrescente, ainda, o desejo poético de um estilista talentoso que, antes de qualquer outra coisa, busca tocar a vida das pessoas. Imaginou? Agora transforme tudo isso em peças de vestuário, mas seja democrático. Produza uma roupa que vista homens e mulheres.

Se você acha difícil [ou impossível] materializar a mistura acima, certamente, irá se tornar mais um fã do estilista cearense Lindebergue Fernandes.

Em um dos desfiles mais aplaudidos da primeira noite do Dragão Fashion Brasil – DFB – Lili [como é chamado pelos que lhe rodeiam] impressionou o público ao apresentar sua coleção recheada de poesia nordestina e moda politizada, que não é politicamente correta: as peças permaneceram com a pegada “genderless” [sem gênero] e surgiram na passarela vestidas por homens e mulheres.

Nascido no interior cearense e apaixonado pela poesia nordestina, Lindebergue apresentou o sangue latino [de um povo que sofre, mas que luta e não perde a esperança, assim como o próprio estilista] através da mistura de tecidos modernos, como o neoprene,  com técnicas absolutamente regionais, como o crochê, por exemplo. Essa mistura resultou na retratação de um sertão urbano, permeado pelo asfalto.

O patchwork também surge na coleção do estilista com simetrias e combinações perfeitas, fruto do trabalho da professora Betina Gauche que atuou como co-criadora das padronagens que geraram uma simetria com forte destaque para o oversized, afinal, para Lili “o skatista é o novo cangaceiro”. E este novo cangaceiro veste macacões, batas, blazer e saia. Porque não?!

 

 

Backstage

 

Palhaços tristes pintados nos rostos dos modelos desfilaram a crítica política de Lindebergue Fernandes. A criação dos maquiadores oficiais do DFB foi inspirada na fotografia de uma criança que surge triste, carregando no rosto da figura do palhaço.

Em conversa com o portal Barbearia Digital o estilista revela a importância da maquiagem na transmissão da mensagem proposta pela coleção. “Acredito que, de imediato, todos sentiram o clima do desfile”, celebra Lindebergue que foi aplaudido de pé pela platéia e pela imprensa.

 

[Créditos: Nicolas Gondim]

[Créditos: Nicolas Gondim]

 

 

No clima

 

Se a maquiagem transportava sensações, a trilha [assinada pelo também diretor artístico de Lili, Charles W] embalou e emocionou o público com uma música nacionalista, repleta de clássicos de uma época sombria de ditadura [Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio permanece em nossa cabeça desde o término do desfile].

Nos adereços a presença talentosa da artesã e designer Adelita Monteiro que, há anos, produz os acessórios que entram em cena nas coleções de Lindebergue Fernandes.

Para este cangaço asfáltico Adelita criou broches e colares que reuniu sementes, crochê, amor pela arte e admiração pelo trabalho do estilista.

Confira a presença masculina no desfile de Lindebergue Fernandes:

 

Barbeiro Digital